Apesar de toda a nossa dedicação em relação aos estudos de Talmud – Torá e em particular ao meu trabalho laboral na área da saúde, a parte mais difícil é ter que lidar com a perda de pessoas, amigos, membros da comunidade, soldados ou pacientes chas ve Shalom (Que D´us não o permita e que a paz esteja com todos).
Nessa porção da Torá emerge de dentro dos textos sagrados o falecimento da nossa querida matriarca Rahel (Raquel) durante um momento em que sua alma gêmea, o patriarca Yaakov (Israel), não pode estar ao seu lado pois ele estava lutando contra o anjo ministro de seu irmão Esav (Esaú).
Deixemos um pouco essa passagem de lado, pense em quantas esposas acabaram perdendo seus maridos e até filhos durante essa guerra entre Israel e o grupo terrorista Hamas. Pense em quanta dor e quantas lágrimas estão sendo derramadas para que o caos, terror e o ódio não triunfem. Eu não acredito que alguém ganhe uma guerra, todos os lados perdem quando entram em algo assim, porém um dos lados vai acabar triunfando e que esse triunfo seja sem sombra de dúvidas da única Democracia em todo o Oriente Médio, que Israel possa vencer e restabelecer a ordem novamente. Isso que estamos vivenciando é justamente a mesma coisa que nossos patriarcas e matriarcas vivenciaram há 3.400 anos, Rachel faleceu sem a presença de seu esposo por ele ter que lutar contra a fonte de toda a força negativa no mundo.
Agora voltando a essa porção, aparentemente a matriarca Rachel teve uma vida muito difícil, desde o período em que ela havia ficado aguardando o casamento, depois do ocorrido entre ela e sua irmã Leah, em ser estéril depois com o falecimento no momento em que estava dando a luz a Biniamin e por fim sendo sepultada longe de sua família. Rachel é símbolo da verdadeira resistência da mulher judia.
Porém o Midrash nos revela algo muito especial, Rachel foi sepultada as margens da estrada para que ela pudesse consolar seus filhos (o Povo de Israel) no momento em que eles estivessem seguindo em direção a Babilônia, revelando suas angústia diante de HaKadosh Baruchú e elevando suas orações por cada um deles (Bereshit Rabá 82:10).
Realmente a vida de Rachel nessa dimensão não foi fácil, porém sua função trouxe a ela uma posição central, Rachel se transformou no canal de conexão entre a dimensão da Sefirat Malchut (Reino) e Zeir Arpin (6 Sefirot acima). O Zohar diz que o sepulcro de Rachel nunca desaparecerá até que haja a ressureição dos mortos. “E estes são os dois Messias – Messias filho de Yosef, e o Messias filho de Yaakov – que passarão pelo sepulcro de Rachel quando vierem a redimir a Israel” (Tikuná Kadmaá, o sexto tikun 1:9). Quando Israel faz teshuvá as lágrimas da matriarca Rachel são enxugadas e sua alma consolada.
Não sabemos definitivamente os caminhos que cada um trilhará nesse mundo, porém a coisa mais importante é extrair as lições testemunhadas por cada um e ter gratidão por cada uma delas afinal a “gratidão é a memória do coração”
Que a memória de todas as vítimas dessa guerra sejam fonte de benção e guarnição.
Moré Gabriel R. C. Mesnek Grinberg










