Comunidade Arizal

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A Lição da Parashat Shelach – Shevirat HaKelim (a quebra dos vasos)

Entre as várias lições do Arizal nosso mestre uma das que sempre me chamou a atenção foi em relação a Shevirat HaKelim, que está conectado dentro da origem da Criação ao Egito e sua relação com o mundo espiritual.

“A quebra dos vasos” dentro do mundo de Tohu é o conceito-chave para explicar as origens da diversidade e multiplicidade na Criação, bem como a origem do mal onde poderemos abordar em um outro momento com maior profundidade. Porém por milhares de anos fomos educados a achar que o Egito não possuía nenhuma relação com o povo hebreu e que a própria existência do Egito era algo negativo, mas o Arizal de forma surpreendente menciona que a maior catástrofe da humanidade foi o êxodo do Egito.

Como exemplo da gigantesca importância do Egito para a humanidade lemos: Não havia nenhum país no mundo tão bom quanto o Egito, conforme está dito “como o jardim de D´us, como a Terra do Egito” (Gn 13:10). E Tsoan é a melhor parte do Egito, designada para a residência dos reis, como está dito: “seus príncipes estavam em Tsoan” (Isaías 30:4)”.

O único motivo pelo qual o êxodo precisou acontecer é que no fundo nós não conseguimos alcançar os nossos objetivos em relação ao Tikun de Shevirat HaKelim, ou seja, de retificar os recipientes quebrados do Egito que estão relacionados ao resgate da verdadeira espiritualidade ancestral daquele povo. Os hebreus foram conduzidos ao Egito e também a todas as outras nações do mundo não para viverem em um exilio amargo, mas para servirem de “pontes” no resgate espiritual e cultural das civilizações em relação a suas verdadeiras origens e ancestralidades. O fato do povo egípcio após a geração de Yosef (José o Justo) não ter preservado e resgatado sua própria consciência divina e espiritual gerou uma profunda crise de identidade tanto no povo egípcio quanto no povo hebreu e foi por essa crise de identidade e da perda da autoconfiança que os hebreus acabaram saindo do êxito e passando 40 anos no deserto.

Moisés ao enviar os 12 espiões a Canaã, 10 deles juravam que seria impossível conquistar a terra e dentro daquela perspectiva todos os hebreus seriam consumidos como gafanhotos pelos moradores. Esse sentimento descrito representa justamente o sentimento de inferioridade, perda de confiança e a pior de todas, a nutrição da dúvida, que em hebraico é escrito pela palavra “Safek” que possui o mesmo valor numérico de Amalek e foi justamente por isso que eles (os espiões) citaram a presença dos amalekitas “Amalec vive ao sul da Terra” (Nm 13:29) como ensina o RASHI dizendo que essa menção ocorreu a fim de apavorar a população uma vez que eles já haviam sido “queimados” por Amalek (Midrash Tanchuma 9).

Por esse motivo todos os kabalistas de geração em geração tentam arrancar do mundo a Safek, pois a dúvida na existência de um “plano superior” na existência de D´us e na Torá de Moshe e no Zohar é a fonte de todo o atraso dentro do nosso processo de evolução, e como antidoto a isso temos a conexão com essa poderosa Shabbat Shelach.

Shabbat Shalom!

Gabriel Mesnek Grinberg

Gabriel Mesnek Grinberg - Formado em 2008 pela Universidade Anhembi Morumbi como Chef Internacional, proprietário da Boutique de Pães.K e Domã.K - Escola da Arte Culinária, especializadas em culinária internacional Kosher (que segue os preceitos judaicos de alimentação). Ele também é escritor e Diretor da Comunidade Arizal, uma Associação Beneficente fundada para disseminar a milenar sabedoria da Kabbalah Luriânica de forma incondicional, responsável pela comunidade judaica do Alto Tietê-SP para o dialogo inter-religioso. Atualmente, estuda no Seminário Rabínico Latino-americano Marshall T. Meyer (@gabriel.m_grinberg e @boutiquedepães.k e www.gabrielgrinberg.com.br).