Pensamos geralmente que Shavuot (a Outorga da Torá) no Monte Sinai é quem marca a primeira e grande revelação Divina a toda humanidade, porém observando atentamente vemos que essa revelação ou outorga ocorreu no advento da Criação descrito em Sefer Bereshit (Genesis) יְהִ֣י א֑וֹר וַֽיְהִי־אֽוֹר׃ “E haja luz (Yehi or) e houve Luz (Vayiehi Or). O livro de Bereshit descreve o princípio da outorga da Luz de Chochmah (a Sabedoria) mas também transmite que logo após essa manifestação da Luz ocorreu um processo de sua ocultação “e houve luz” (Vayehi or) ou seja, a luz ficou oculta no passado “e houve”. Da mesma forma vemos isso ocorrer em relação a Shavuot onde as Tábuas da Lei foram quebradas e houve novamente uma desconexão com a energia da imortalidade por consequência do pecado do bezerro de ouro) até a chegada de Rabbi Shimon Bar Iochai (séc. II) que se reuniu com seus discípulos no Idrá Rabá (a Grande Assembleia) justamente na Porção de Nasso (porção dessa Shabbat), após anos vivendo em uma caverna com seu filho Rabbi Elazar.
O interessante é que da mesma forma que a luz da Criação, de Shavuot e da revelação do Zohar na Idrá Rabá ocorreu, foram igualmente ocultadas. Na criação surgiu o mundo físico que se tornou uma casca de ocultação da alma e do Criador, em Shavuot com a quebra das tábuas ocorreu o ocultamente da Luz da imortalidade e O Zohar foi posteriormente escondido das massas e sepultado para segundo sua própria profecia, ser revelado à humanidade somente na era de Aquário marcada inicialmente pela chegada de Rabbi Isaac Luria (Arizal) no séc XVI até a nossa geração.
O processo de expansão e contração do coração da lua e da luz do zohar reflete ou imita o que chamamos na kabbalah de Tsitsum (a constrição do recipiente) que foi responsável por dar origem a todo advento da Criação. O fato de acessarmos a luz e as bençãos e as vezes isso se tornar até invisível em nossas vidas não tornam aquelas energias algo inexistente, mas apenas ocultas.
Como exemplo disso podemos olhar a porção de Nasso e assim observar justamente a relação das tribos e os sacrifícios oferecidos no Tabernáculo, porém os sacrifícios não eram realizados apenas como um ritual e sim como uma forma de corrigir uma das várias dimensões espirituais de negatividade desse mundo.
Era através dos sacríficos que os hebreus poderiam vaporizar as energias negativas e assim trazer luz a esse mundo. Atualmente isso é realizado da mesma forma só que através do estudo de Talmud-Torá pois não possuímos fisicamente o Templo Sagrado. As nossas orações, estudos e meditações se transformaram pela própria Vontade Divina nas ferramentas de retificação e o motivo do Zohar ficar oculto por tantos anos se dá pelo fato de que essa geração teria recipiente para compreender e receber isso. O signo de Aquário como exemplo possui um desenho de um cântaro de água transbordando não por acaso, isso representa a abundância de informação e de conhecimento que seria acessível a humanidade e isso é o que temos hoje por exemplo através do famoso “rabino Google” porém da mesma forma essas informações todas tem sido desperdiçada.
A nossa conexão com o Zohar e com a Parashat Nasso trás um ponto de equilíbrio dentro da era de Aquário e por isso essa foi a porção escolhida por Rabbi Shimon Bar Iochai para revelar o Zohar canalizado na caverna por 13 anos aos seus discípulos no Idra Rabá. Que através dessa Shabbat possamos receber a luz do esplendor e aproveitar todas as faíscas de Luz Divina para o cumprimento de nossa missão.
Shabbat Shalom!










