Comunidade Arizal

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Penetrando no Pardes
O Pomar das Maçãs Sagradas.

A Luz Oculta da Criação e a Construção do Tabernáculo

A Lua se manifesta em nosso mundo através de quatro fases (Nova, Crescente, Cheia e Minguante) porém seu propósito final dentro da Criação é o de iluminar nosso planeta de forma constante, mas como não estamos física e espiritualmente preparados para isso (ainda) então existe a necessidade de recebermos sua influência em “doses homeopáticas”.

Estamos essa semana sob a influência da Porção Terumá (Êxodo 25:1 – 27:19) que em hebraico significa “doação” para a completude do Tabernáculo de Moisés, que posteriormente foi desmontado guardado e sepultado abaixo da construção do Templo Sagrado em Jerusalém edificado pelo Rei Salomão filho de David como em um processo de continuação do trabalho que foi iniciado por Moisés. Assim como na construção do Tabernáculo e posteriormente do Templo Sagrado em Jerusalém o projeto Divino contava com diferentes divisões, cada área ou câmara do Templo produzia uma dimensão de conexão espiritual com o Criador de forma mais intensa e elevada, chegando a parte central conhecida como HaKodesh HaKedoshim (A câmara do Santo dos Santos) local onde era exposta a famosa Arca da Aliança (Aron HaKodesh), da mesma maneira que o Tabernáculo e Templo Sagrado foram projetados assim também foram as escrituras hebraicas e o Sidur (livro de orações). Em cada livro da Bíblia encontramos uma relação com uma das partes do Templo, como por exemplo o livro Shir HaShirim (Cântico dos Cânticos) de autoria do Rei Salomão, e a oração Hashkivenu, onde ambos estão relacionados justamente com a Câmara Santo dos Santos.

Apesar do Templo ter sido fisicamente destruído sua energia potencial nunca foi, toda a luz que foi canalizada para o mundo através do Templo, ainda está sendo armazenada em nossa dimensão e, através da leitura da Torá e das orações, podemos realizar exatamente o mesmo serviço feito pelos sacerdotes e Levitas em outrora na Antiga Israel. A destruição do Templo foi um processo parecido com a ocultação da luz da lua em sua faze minguante, apesar da luz estar oculta ela não desapareceu. Para termo uma ideia dessa relação entre o ser humano e o Templo nos dias atuais temos por exemplo o uso do Talit (manto de orações) usado no serviço da manhã. O Talit é uma mini representação do Templo Sagrado, com seus quatro cantos onde em cada extremidade fixamos o tsitsit (fios ou franjas) que possuem uma serie de significados. Neste caso quero compartilhar um que está intimamente ligado à nossa relação com a construção do Tabernáculo, os fios desfeitos do Talit representam o caráter incompleto da obra, o manto representa o início do projeto, a criação os patriarcas e matriarcas, os profetas e os sábios da kabbalah porém, a continuação dessa obra é uma responsabilidade individual nossa, cada um precisa continuar tecendo esse manto, tecendo os caminhos da espiritualidade, cada pessoa precisa se auto responsabilizar pela permanência desse modelo Divino na  Terra, seja por doações, como voluntários ou como canais de sustentação através de sua conexão com os estudos e serviços religiosos.

Desejo a todos um Shabbat Shalom!

Gabriel Mesnek Grinberg

Gabriel Mesnek Grinberg - Formado em 2008 pela Universidade Anhembi Morumbi como Chef Internacional, proprietário da Boutique de Pães.K e Domã.K - Escola da Arte Culinária, especializadas em culinária internacional Kosher (que segue os preceitos judaicos de alimentação). Ele também é escritor e Diretor da Comunidade Arizal, uma Associação Beneficente fundada para disseminar a milenar sabedoria da Kabbalah Luriânica de forma incondicional, responsável pela comunidade judaica do Alto Tietê-SP para o dialogo inter-religioso. Atualmente, estuda no Seminário Rabínico Latino-americano Marshall T. Meyer (@gabriel.m_grinberg e @boutiquedepães.k e www.gabrielgrinberg.com.br).